São José do Egito-PE em 1956

O Início

Por volta de 1830, fazendeiros das cabeceiras do Rio Pajeú resolveram estabelecer residência no vale meridional da Serra da Borborema, no ponto de confluência do Riacho São Felipe com aquele rio. Após algum tempo cuidando de suas plantações, construíram ali uma capela dedicada a São José, em torno da qual surgiu a povoação que teve sucessivos nomes: São José das Queimadas, São José da Ingazeira, São José do Egito.
A Vila foi criada a 25 de maio de 1877, através da Lei Provincial nº 1.260, sob o nome São José de Ingazeira. A 09 de abril de 1894, através de ato do governador do Estado Alexandre José Barbosa Lima, ganhou organização judiciária, tornando-se independente do município de Ingazeira ao qual estava anexada.

Conflito São Pedro X Queimadas

A povoação do lugar iniciou-se com a construção de uma capela dedicada a São José por fazendeiros da cabeceira do Rio Pajeú, no lugar Queimadas, vale meridional da Serra da Borborema e ponto de confluência do Riacho São Filipe com o mesmo Pajeú. Fazendeiros vizinhos, que possuíam uma capela dedicada a São Pedro, atacaram e destruíram o templo. Uma nova capela foi erguida. Um novo ataque foi tentado, desta vez sem êxito, pois houve resistência. O povoado foi intitulado São José das Queimadas em 1865.

Emancipação Política

São José do Egito foi elevada à categoria de Cidade através da Lei Estadual nº 991, a 01 de Julho de 1909.
Por decisão da sociedade egipciense ficou estabelecido que a emancipação política deveria ser comemorada em 09 de março, quando o então governador do Estado, extraoficialmente, deu poderes emancipatórios ao novo município.

Cultura Local / Berço Imortal da Poesia

São José do Egito tem como principal marca a poesia popular. A cidade é conhecida como “Capital dos Repentistas” ou “Berço Imortal da Poesia”, dado ao grande número de cantadores famosos nascidos ali. De cada dez dos mais representativos poetas populares do Nordeste, pelo menos sete são egipcienses. E essa concentração é confirmada pela maioria dos estudiosos da arte popular nordestina.
Um dos primeiros poetas egipcienses a ganhar fama nacional foi Antônio Marinho (1887/1940). Depois vieram outros, como o poeta e astrólogo João Ferreira de Lima (1902/1973), os violeiros Agostinho Lopes dos Santos (1906/1972), os irmãos Dimas (1921/1986), Lourival (1915/1992) e Otacílio Batista (1923/2003), os poetas Rogaciano Leite (1920/1969), Severino Cordeiro de Sousa-Bio Crisanto (1929/2000) e João Batista de Siqueira-Cancão (1912/1982).
Todos esses poetas, cada um a seu modo, influenciaram dezenas de seguidores, ajudando, desta forma, construir a fama que a cidade carrega. Atualmente, São José do Egito ainda conta com um grande número de poetas produzindo e difundindo a arte que virou símbolo da cidade graças à atuação dos velhos e respeitados repentistas locais.
O município também é reconhecido por suas fortes potencialidades musicais. Bastaria citar alguns nomes para confirmar tal argumento: Val Patriota, Delmiro Barros, Forró EnCantador, As Severinas, Inaldo Sampaio (da Banda Pinga-Fogo), Grupo Mambembe, dentre outros.
Além de tudo, São José do Egito conta com a Escola de Música Cícero David (que formou centenas de músicos) e possui a “Fábrica de Música” que coloca no mercado uma nova geração de artistas.

Turismo

Além de ser uma terra rica em sua produção cultural e na edição de eventos (Festa de Reis, Galo da Travessa, Festa Universitária, Festival de Cantadores, Festividades Juninas, Exposição de Animais, etc.), que garantem a visitação ao município durante todo o ano, principalmente no tocante ao renome por ser o local que concentra mais repentistas e poetas de bancada no Nordeste Brasileiro, São José do Egito dispõe de atrativos quanto ao turismo rural e religioso.
Fora da sede do município, temos na região do Sítio São Pedro um vulcão abortado, uma das capelas mais antigas do Pajeú e o túmulo de João Dantas (figurante da história nacional por ter assassinado João Pessoa).
Nos arredores do Povoado das Batatas, diversas inscrições rupestres remetem ao passado daqueles que iniciaram a história nas terras do Pajeú.
O Monte da Igrejinha, a dois quilômetros da sede, é local de devoção à Nossa Senhora da Saúde e serve de mirante para se visualizar toda a zona urbana.
O antigo Beco de Laura, no Centro, expõe nas paredes de suas residências trabalhos de grandes mestres da poesia.
E o Centro Antigo, com sua bela Matriz de São José, ainda apresenta parte do casario dos tempos do início da formação da atual cidade, no estilo arquitetônico pós-colonial.

SÃO JOSÉ DO EGITO - ATRATIVOS TURÍSTICOS


ZONA URBANA

1 - Igreja Matriz de São José
2 - Praça da Matriz – Marco Zero
3 - Beco de Laura
4 – Rua Joaquim Nabuco (Rua do Arranco)
5 - Memorial da Cultura Popular
6 - Casario do Centro Antigo
7 - Praça Antônio Jorge

ZONA RURAL

1 - Sítio Arqueológico de Pedro Joaquim e Cachoeira da Dedé
2 - Fazenda São Pedro
   . Casa grande 
   . Capela (1695)
   . Cemitério (Túmulo de João Dantas, assassino de João Pessoa)
   . Serra Negra (Vulcão Abortado)
   . Sítio arqueológico (Inscrições rupestres)
3 - Mirante do Monte da Igrejinha

Fonte: Prefeitura Municipal de São José do Egito-PE

0 comentários:

Postar um comentário

PARCEIROS

FALE CONOSCO

Nome

E-mail *

Mensagem *

VARAL DE POESIA

Desertos medonhos.
Caminhos distantes.
O bulício do antes.
Queimando na alma.
Estradas penosas.
Léguas cansativas.
E as mágoas vivas.
Tirando-me a calma.

Os pés já cansados .
Pela caminhada.
Em busca do nada.
Só sinto o vazio.
De nada valeu.
Meu nobre caminho.
Me sinto sozinho.
Nas noites de frio.

O tempo mesquinho.
Me fez covardia.
Me trouxe agonia.
Enquanto eu brincava.
Roubou minha face.
Tirando o vigor.
Matando uma flor.
Que desabrochava.

Findei como barco.
Que vaga sozinho.
Em redemoinho.
Longe da partida.
Em ondas bravias.
Me vejo já morto.
Sem cais e sem porto.
Nos mares da vida.

Foram tantos sonhos .
E tanta esperança.
Um brincar de criança.
Que tem liberdade.
E o tempo covarde.
Tirou meu viver.
Levou meu prazer.
Me trouxe saudade.

Pedidos de paz.
Que foram em vão.
E o meu coração.
Vagando a esmo.
Guerra sem fim.
E tantas porfias.
Que nas agonias.
Só tenho eu mesmo.

Me calo por fim.
Pelas amarguras.
E pelas torturas.
Do meu desprazer.
A ti meu deus.
Eu tenho amizade.
Mas tua vontade .
Não posso entender.

Neném de Santa.
São José do Egito-PE

---------- CONHEÇA O NOSSO PROJETO! ---------

PALAVRA DO ARTICULADOR

Eis que surge um sopro de esperança além do horizonte. A face da juventude se enche de alegria e vigor. O que era apenas utopia, agora começa a dar seus primeiros sinais de um sonho possível. As possibilidades surgem. O verde renasce no chão ressequido e, de repente, a esperança pinta o quadro do tempo.
O Movimento “Por Mais Cultura” se torna um dos diversos sinais da esperança. É como o vento que impulsiona o moinho a jorrar água para tantas pessoas. É um grupo da diversidade: diversos sons, diversas cores, diversas vozes que se somam numa só voz. Um grande quadro onde todos colocam suas digitais como forma de protocolar os seus clamores e assinar um grito entalado na garganta da juventude brasileira. É um grupo que grita e incomoda quando se sente incomodado. É um grupo que diz “não” diante da demanda do “sim” no mundo moderno. É um grupo de jovens protagonistas do seu próprio tempo.
Um mito nos diz que não se deve falar de política, religião e futebol. Mas porque não? Por que não declarar sua opinião diante das injustiças políticas? Por que não desconstruir tradições, dogmas e imposições? Por que temos que torcer quando não há razão para quê? A juventude deve ser o grande diferencial na mudança social de um país. A força motora pensante e praticante. Os caras pintadas de antes são caras novas hoje, mas que gritam contra a mesma máquina injusta.

Surge um novo sopro... é a JUVENTUDE despertando!

Felipe Júnior
movimentopmc@gmail.com

TV POR MAIS CULTURA

PRA PENSAR...

"Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar."

Cássia Eller

POSTAGENS

NAS VEIAS DA POESIA

Rei é rei, nunca perde a majestade,
Ele tem do Nordeste a sua marca,
A sanfona fez dele esse monarca
Apesar de ser simples de verdade,
O aboio estridente na cidade
Como um grande trovão se ecoava,
Em seu peito insuflado, transbordava
Uma enchente de paz, luz e amor...
Em um leito, sentindo muita dor
Ao invés de gemer, ele aboiava.

Gênio é gênio, até mesmo no sofrer,
Entre os gênios, um gênio que não vejo,
Que mostrou-se um simples sertanejo,
Até mesmo bem perto de morrer
O que os médicos podiam, ali fazer
Se nem mesmo a morfina adiantava?
Mas somente um aboio aliviava
O sofrer do doente tocador...
Em um leito, sentindo muita dor
Ao invés de gemer, ele aboiava.

Foi dos astros daqui, o maior astro
Mas da dor dos mortais não foi isento,
Pernambuco ficou sem seu rebento
E a bandeira soltou-se do seu mastro.
Gonzagão, ao partir, deixou um lastro
Tão divino que o Sol se ofuscava,
Quando a morte o levou no céu brotava,
Em um vaso de luz, mais uma flor...
Em um leito, sentindo muita dor
Ao invés de gemer, ele aboiava.

Bandeira Junior